Prisão de ventre infantil: como evitar risco
Nutricionista afirma que 30% das crianças sofrem desse mal, que traz sérias consequências à saúde
O problema, que assombra grande parte das mulheres, também é inimigo da garotada. A prisão de ventre infantil é disfunção que chega a atingir cerca de 30% das crianças e pode ser resultado não só de maus hábitos alimentares, como também de questões comportamentais e sociais. Isso porque, a criança ainda não é totalmente capaz e não tem consciência de que precisa ir ao banheiro com regularidade. Muitas se sentem constrangidas em usar o banheiro fora de casa ou na escola.
De acordo com a nutricionista Elaine Pádua, especialista em nutrição na infância e adolescência, e que atua no Ambulatório de Saúde do Adolescente do Hospital das Clínicas de São Paulo, o primeiro problema pode ser a resistência em ir ao banheiro e muito esforço ou dificuldade na hora de evacuar: “Quando a criança resiste muito em evacuar, chora e esperneia quando os pais a colocam sentada no vaso sanitário ou ainda fica muito tempo e não consegue evacuar, ela pode estar sofrendo de constipação.”
Sem cuidados, sérios riscos
“Caso a criança vá menos que três vezes por semana ao banheiro, apresentando fezes com consistência muito endurecida e ressecada e dor ao evacuar, é necessário procurar a ajuda de um profissional, pois ela pode estar desenvolvendo um quadro sério de constipação”, alerta Elaine. Quando não tratado adequadamente, o problema pode se agravar e transformar-se em intoxicação grave gerada por acúmulo de toxinas, gerando desconforto como: distensão abdominal, gases, irritabilidade e acne. Além disso, em vida adulta, o trauma pode persistir e diminuir consideravelmente a qualidade de vida da pessoa.
Elaine Pádua explica que o intestino é considerado o nosso segundo cérebro, já que é lá onde ocorrem 90% da produção de serotonina, neurotrasmissor responsável pela sensação de bem-estar. Por isso, ter constipação pode afetar o humor das crianças.
Dicas para prevenir e evitar
Segundo a nutricionista, o papel dos pais nesse momento é essencial, começando pelo controle da alimentação, que deve ser rica em fibras, frutas e líquidos. “Além de uma dieta balanceada, diversificada e nutritiva, é importante que os adultos estimulem nas crianças o hábito de ir ao banheiro em um determinado horário, para condicionar o intestino a funcionar regularmente. O ideal é que os pequenos fiquem sentados no vaso por pelo menos cinco minutos após as principais refeições e em uma posição confortável para facilitar o processo”, orienta Elaine e dá as seguintes dicas:
– Organize os horários das refeições para garantir um volume alimentar adequado (desjejum, lanche, almoço, lanche e jantar);
–Tente introduzir legumes, frutas e verduras na alimentação da criança (refeições e lanches). Receitas coloridas, verduras e legumes escondidos em outros pratos ou massas, etc. Ex: Suco de hortaliças, arroz com cenoura, bolinho de couve-flor, arroz integral com brócolis;
– Tomar água natural com freqüência. Caso a criança não tenha o costume, inicie com dois copos por dia e aumente gradativamente;
– Além de água, oferte também outros tipos de líquidos como leite, sucos e chás;
– Estimule a criança a comer fibras, mas introduza aos poucos, de forma gradual. O excesso pode causar diarréia e interferir na absorção de vitaminas e minerais.
As fibras são encontradas nos cereais (arroz integral, milho, cevada, trigo integral), nas leguminosas (feijão, grão de bico, ervilha, soja, lentilha) e nas oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoa, macadâmia, amendoim) e nas frutas, verduras e legumes.