25 de abril de 2014

Colesterol não é a única ameaça ao coração

 

Pesquisas médicas apresentam avanços e recuos no estudo dos riscos do colesterol

 

Desde1953, quando se conheceram as primeiras pesquisas médicas publicadas, o colesterol tem sido acusado como provocador de doenças cardíacas. Nesse ano, o fisiologista Dr. Ancel Keyes, publicou na revista inglesa The Lancet um tema que ainda não havia sido abordado: ”Aterosclerose, o mais novo problema em saúde pública”. Foi relatado que as doenças cardíacas estavam aumentando devido à ingestão de comidas gordurosas, dando como exemplo aumento de casos em 6 países: Estados Unidos, Canadá, Austrália, Inglaterra, Itália e Japão.

Como não houve contra-prova, por muitos anos o mito persistiu. Os produtos industrializados com um mínimo de gorduras começaram a aumentar as vendas, como margarinas, óleos vegetais e, naturalmente, diversos medicamentos de vários laboratórios, para baixar as taxas de colesterol que os médicos achavam muito altas.

Há poucos anos começou-se a ouvir falar em gorduras saturadas e insaturadas. Saturadas são as gorduras de origem animal, consideradas ruins, por provocar o aumento das taxas de colesterol. As insaturadas são encontradas em grãos e frutas e seriam as melhores por não elevar estes níveis. Com isto, mais produtos alimentícios foram lançados no comércio com nomes como mono-insaturados (com poucas gorduras) até os chamados poli-insaturados, que seriam os melhores, por não conter  na sua formulação elementos que aumentassem o chamado colesterol ruim (LDL). As gorduras chamadas trans também foram eliminadas.

O ovo de galinha foi estigmatizado por muitas décadas por ter muito colesterol na gema e culpado igualmente por piorar o LDL. Até que um estudo que durou 20 anos foi publicado em janeiro de 2011. Foram avaliadas durante este tempo 9.734 pessoas de 25 a 74 anos e que comeram ovos todos os dias. Não se comprovou que houve piora do aumento de infarto e nem de AVC (acidente vascular cerebral) comparando com pessoas que não comeram ovos.

Ainda nos dias atuais, são receitados  medicamentos como estatinas para serem tomados todos os dias como prevenção de doenças cardíacas. Ainda não temos segurança completa. Há poucos meses surgiu outra novidade. Médicos americanos que fazem parte da Associação Americana de Lípides, gostariam que os pedidos de exames para avaliar colesterol fossem modificados, principalmente para quem já tem ou teve doença cardíaca ou infarto. Além de medição dos níveis de colesterol total, HDL, LDL e triglicérides, estes médicos fizeram um documento propondo o acréscimo das dosagens da Proteína C-reativa, Lp(a), Apolipoproteína B (Apo b) e Lp-PLA2.

    A Proteína C-reativa já, conhecida há quase 50 anos como medidora de processos inflamatórios como reumatismo, agora está sendo indicada como marcadora de lesões arteriais e prevenção de risco de infarto. As outras lipoproteínas, quando aumentadas seriam ocasionadoras de placas de ateroma, provocando entupimento arterial. Deve ocorrer uma discrepância entre os níveis de colesterol que não estejam alterados e estes novos elementos que mostrariam níveis muito elevados.

  É claro que não é só o colesterol o vilão. Deve ser levado em conta o estilo de vida que a pessoa leva, que representa 53% dos fatores favorecendo hábitos saudáveis, não fumar, fazer caminhadas diárias, tratar hipertensão e diabetes, diminuir o peso, seguir a dieta mediterrânea, como já observamos em Vida Integral de outubro de 2008.

O Dr. Luiz Freitag é autor do livro Como Transformar a Terceira Idade na Melhor Idade, Ed. Alaúde. Geriavita1@uol.com.br / medicogeriatrasp.com.br

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