17 de dezembro de 2014

Iatrogenia - remédios que adoecem

 

Dr. Luiz Freitag

“Quem mais sofre com a prescrição excessiva de medicamentos são os idosos – 85% deles apresentam diversas patologias associadas.”

A palavra Iatrogenia tem o significado de alteração para pior no tratamento de um paciente. Essa alteração pode ser provocada por qualquer tipo de substância. Para os médicos estarem capacitados a prescrever as mais diversas substâncias é necessário um conhecimento sólido de Farmacologia e de interação de drogas. É também imprescindível o tempo para analisar cada caso, nem sempre possível, por fatores que iremos discutir.

O conhecimento sobre iatrogenia não tem sido transmitido satisfatoriamente aos alunos de Medicina, por deficiência no ensino. Há um excesso de escolas médicas nos grandes centros - 117 na região sudeste, sendo 55 no Estado de São Paulo. A Organização Mundial de Saúde estabelece que é necessário um médico para cada mil habitantes. No Brasil já temos um médico para 264 habitantes.

Só em 2003 foram aprovadas mais três escolas, mas o CREMESP entrou com representação contra a aprovação desses cursos, por não ter sido consultado. As escolas médicas privadas cobram altas mensalidades (entre R$2.000,00 e R$3.000,00), não oferecem equipamentos nem corpo docente que justifiquem o alto custo.

Ocorre então a formação insuficiente desses alunos, que necessitam fazer residência médica de dois a quatro anos, conforme a especialidade escolhida. Muitos desses residentes nem sempre estão habilitados para o diagnóstico correto no dia a dia.

Sem condições financeiras para montar o próprio consultório, ficam à mercê dos convênios médicos, que lhes pagam preços não condizentes aos honorários mínimos estabelecidos pela Associação Médica Brasileira (AMB). Esse aviltamento profissional leva muitos médicos a “correr” com cada consulta, não chegando nem aos 15 minutos determinados pela AMB.

Quem mais sofre com a prescrição excessiva de medicamentos são os idosos – 85% deles apresentam diversas patologias associadas. As mais comuns são: doenças cardiovasculares, osteoarticulares, diabetes e doenças pulmonares. Para cada uma dessas doenças é necessário ingerir um ou mais medicamentos e geralmente esses pacientes consultam vários médicos. Nem sempre os profissionais verificam os remédios que o paciente vem tomando, sob prescrição médica ou não.

A conduta médica pauta-se pelo acompanhamento das transformações decorrentes da idade e a prescrição só é feita diante da certeza de um diagnóstico - não devem ser tratados apenas os sintomas. A dose de medicamentos para um idoso também não é a mesma que a ministrada para um adulto de menos de 65 anos.

O grande número de drogas que os idosos tomam explica as reações adversas, maiores que as verificadas entre pessoas de menos idade. Isto se deve a eventuais disfunções no metabolismo do fígado e excreção renal,

Aconselhamos aos pacientes que consultam vários especialistas informar as doses de medicamentos que já ingerem e também outros sem prescrição médica, como vitaminas, laxantes e fitoterápicos. Destacamos que é importante ser examinado por profissionais de boa formação, para não sofrer as conseqüências de drogas que, isoladamente são eficazes, mas associadas às vezes a um simples laxante, podem ser prejudiciais.

Cuidado! Não saia do consultório sem que esteja bem esclarecido sobre os efeitos de todos os medicamentos a serem tomados. Se o médico não o convenceu, procure ouvir uma segunda opinião, porque a responsabilidade de prescrição é sempre do médico, mas a ingestão de remédios é sua.

Por vezes, temos até que concordar com Hubbard: “O pior nos medica-mentos é que um torna necessário o emprego de outros.”

- NR: Republicamos este texto em virtude de haver sido publicado incompleto na edição anterior.

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