Obesidade ameaça alunos em São Paulo
Pesquisa com 8020 adolescentes revela que em São Paulo 81% dos alunos de escolas particulares e 65% de escolas públicas são sedentários.
Maus hábitos alimentares e pouco exercício físico. Esse dupla perigosa está ameaçando adolescentes paulistanos com excesso de peso. A constatação é da pesquisa Diagnóstico precoce da obesidade e hábitos alimentares em escolares de 10 a 15 anos na cidade de São Paulo. Realizada por especialistas da Unifesp e da Universidade São Marcos e com apoio do International Life Sciences Institute a pesquisa comprovou antiga desconfiança.
De acordo com dados da pesquisa, a maioria dos alunos das escolas públicas e particulares é sedentária e realiza menos de 10 minutos de atividade física diária - o indicado pelos profissionais de saúde é de pelo menos 30 minutos. Os profissionais ponderam que essa questão é ainda mais séria quando se verificam os altos índices de excesso de peso.
A combinação entre a má alimentação e pouca atividade física é uma das principais causas da obesidade, que expõe crianças e adolescentes a problemas de saúde que vão desde conflitos emocionais até alterações cardiovasculares.
Pouco exercício
O trabalho revelou a existência de alto nível de sedentarismo em todas as classes sociais, sendo de 81% nas escolas particulares e 65% nas escolas públicas. As meninas são mais sedentárias que os meninos (70% X 59%), não tendo sido observada diferença estatística em relação ao estado nutricional.
“A atividade física realizada na escola é muito precária e em casa o medo da violência, a falta de incentivo e a ausência dos pais, que normalmente trabalham fora, fazem com que os adolescentes passem cada vez mais tempo em frente ao computador e à televisão. Mesmo entre crianças das escolas públicas, onde ainda há o costume de brincar na rua, o índice de sedentarismo é muito alto”, ressalta o pediatra Mauro Fisberg, especialista em obesidade infantil e coordenador da pesquisa.
Sem café, sem jantar
Quanto ao estado nutricional, avaliado pelos padrões estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (IMC para a idade e sexo), verificou-se que 3% da amostra apresenta baixo peso, 16% está com sobrepeso e 10% com diagnóstico de obesidade. Nas escolas particulares, o percentual de meninos com excesso de peso chega a 39%, enquanto entre as meninas é de 27%. Nas escolas públicas, os percentuais são 24% e 23% respectivamente.
Entre os maus hábitos alimentares observados no grupo estudado, destacam-se a omissão do café da manhã, feita principalmente pelo sexo feminino e por aqueles que apresentam excesso de peso corporal, e a freqüente substituição do jantar por um lanche. O trabalho mostrou ainda que 18% dos meninos e 24% das meninas consomem produtos diet e light, sendo este consumo significativamente maior entre as meninas, principalmente por aquelas com excesso de peso e de escolas particulares.
Esforço conjunto
Para o Dr. Fisberg a família é a principal responsável pelos hábitos alimentares de crianças e adolescentes. “A família precisa educar as crianças para que desenvolvam hábitos saudáveis de vida, incentivando a atividade física e orientando para escolhas mais adequadas”.
O especialista ressalta que, além da família, a escola deve exercer seu papel educacional, dando atenção maior à nutrição e à atividade física. Por sua vez, o governo precisa cumprir o seu papel social de fiscalizar corretamente as escolas e incentivar a prática de atividade física. “Para reverter esse quadro, as melhores ferramentas são a prevenção e o diagnóstico precoce, que passam pelo esforço conjunto de todos”, destaca o Dr. Fisberg.