24 de julho de 2014

Viver bem por mais tempo

 

Dr. Luiz Freitag

 

Pesquisas sobre longevidade estão se desenvolvendo no mundo inteiro, visando deter o curso do envelhecimento. Nesse sentido, uma coletânea de estudos recentes realizados na França foi publicada pela revista científica  Sciences et Avenir (Ciências e Futuro).

A discussão desses temas está centrada numa questão polêmica – fomos programados para a imortalidade? As condições para aumentar os anos de vida tornam-se cada vez mais viáveis, pela possibilidade atual de regeneração de tecidos, controle hormonal e resolução do quebra-cabeça do DNA.

Vários fatores já conhecidos, responsáveis pelo envelhecimento, estão sendo estudados com mais profundidade, com o objetivo de esclarecer questões que sempre inquietaram o ser humano: Por que envelhecer? É necessário? Se a velhice é considerada naufrágio, em que fase da vida pode-se começar a fortalecer o corpo para evitá-la e de que maneira?

Uma das pesquisas mais promissoras para a compreensão do envelhecimento está baseada no estudo de hormônios, como o IGF-1 (fator 1 de crescimento, hormônio secretado pelo fígado). Por enquanto, esses experimentos têm sido realizados em espécies de ratos, cujo organismo apresenta semelhanças com os humanos.

Atualmente a genética não é mais considerada o único fator de envelhecimento. Para o geneticista Axel Kahn “ a morte é vista como o xeque-mate da Medicina” . No final do século XX a esperança de vida duplicou;  na ausência de uma pílula milagrosa, a receita da longevidade continua sendo  comer pouco e bem, ingerindo menos calorias.

Nessa linha de idéias, Axel Kahn observa que em nossos dias a juventude e a performance são mais valorizadas do que nunca, por uma única razão: os jovens ativos são consumidores. Se cessam de produzir e de consumir, perdem o interesse. A velhice é vista como um desastre.

Em outros tempos, idosos desfrutavam de reputação de sabedoria e respeito. Hoje esse “prêmio de consolação”  desapareceu. Então é preciso mascarar os estigmas do corpo, para aparentar juventude, até que não seja mais possível disfarçar a vista cansada e o andar hesitante. A sociedade aspira à imortalidade dos jovens e à eutanásia dos velhos. Esta é a grande incoerência - aumentando a todo preço a longevidade, mais idosos estarão sobrevivendo e, ao mesmo tempo, serão rejeitados.

No futuro células poderão regenerar-se por si mesmas e dar ao corpo aparência juvenil. A conquista de novos conhecimentos  trará à humanidade condições de aceitar gerações de idosos  e a possibilidade de desfrutar das satisfações nos diferentes estágios da vida.

Para São Paulo, na Primeira Epístola aos Corintos, 15: 26, “ o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte.” Enquanto não se chega a esse estágio ideal, pode-se retardar o envelhecimento e, portanto, a morte, seguindo algumas recomendações:

Comer verduras, legumes e frutas, ingerir mais peixes (truta e salmão), evitar gorduras animais, como as poli-insaturadas, usar azeite extra-virgem;

Praticar alguma atividade prazerosa, como culinária, tapeçaria, jardinagem, palavras cruzadas, estudar nova língua, viajar;

Ler bom livro, ouvir música, dançar, ir a festas, conversar, freqüentar associações e cultivar amizades;

Caminhar despreocupadamente meia hora por dia, sem contar os passos;

Reduzir o estresse de cada dia, com meditação e relaxamento;

Praticar sexo com a pessoa amada.


Luiz Freitag é autor do livro “ Como transformar a terceira idade na melhor idade” – Editora Alaúde lvfreita@uol.com.br
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