20 de outubro de 2014

Finitude da vida

 

“Quando eu pensar que aprendi a viver, terei  aprendido a morrer.”

Leonardo da Vinci ( 1452-1519)

 

Quem vem acompanhando os temas que temos desenvolvido há vários  anos em “Vida Integral”  conseguiu, certamente, pôr em prática as estratégias necessárias  para prevenir, conviver ou  até superar muitas das doenças recorrentes quando se avança em idade. Também aprendeu  a se cuidar e a prestar atenção aos fatores que podem contribuir para uma vida saudável.

Entre os temas normalmente abordados em palestras e cursos dirigidos à terceira  idade, muitas vezes são esquecidos aqueles que tratam da existência (vida) e finitude (morte). A questão do sentido da existência  sempre preocupou cientistas  e filósofos.  Torna-se mais urgente,  sobretudo para as pessoas que não mais podem  adiar o enfrentamento  da finitude próxima, devido ao avanço dos anos e a graves doenças.

No século XX predominou a crença  de que uma qualidade de vida superior resulta  de  melhores condições materiais, acumuladas no decorrer da vida. Foram enaltecidos valores  como conforto, vida regrada , casamento feliz, trabalho  que renda bens materiais, com o prestígio daí resultante. Esqueceu-se  de que esses valores, ainda que desejáveis, são sempre exteriores , podem exigir  muitos anos  de empenho, e nem sempre  são obtidos por meios lícitos. Levam a uma preocupação exagerada com o status social, sacrificando  a interioridade. Infelizmente, essa  perda só é percebida quando o indivíduo  se dá conta do que deixou passar,  por não ter cultivado o seu eu interior,  ocupando o seu cérebro  com idéias de como ganhar mais dinheiro  e conservá-lo.  Nesse período,  provavelmente,  já adquiriu alguma doença incapacitante.

Para  Nietzche , que  critica  a “estética da existência”, viver  bem não é só continuar  existindo  e o sentido da vida não é só  sobrevivência,  mesmo que seja nas melhores condições  materiais.

O caminho para  desenvolver  um estilo de vida  saudável  consiste  em manter  a  alegria  de viver , criar  coisas novas,  conviver  bem com as pessoas próximas, além do sexo  seguro. Esse estilo de vida vai determinar  o envelhecimento  bem sucedido, e não deve ser confundido com hedonismo, que é apenas o cultivo do prazer.

Cuidar de si é uma arte, um privilégio,  com autonomia  para não se sujeitar  às conveniências   do lazer exterior.  Quando o indivíduo  perceber  que a finitude  um dia chegará,  pelas próprias  limitações  da existência,  deve  contentar-se  com  as  suas  realizações, sem  reter  amarguras  e frustrações, bem como  raiva  e inveja,  sentimentos  prenunciadores  de doenças.

É  bom  lembrar  que,  mantendo-se  sadio  ou  com alguma  doença  tratável , à  medida  em que  a idade avança  melhores  serão  as perspectivas  de  uma vida mais longa ,  com  tratamentos mais avançados, que  surgem  a  cada  ano.

Adie  a  sua  finitude! - Luiz Freitag - lvfreita@uol.com.br

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