Finitude da vida
“Quando eu pensar que aprendi a viver, terei aprendido a morrer.”
Leonardo da Vinci ( 1452-1519)
Quem vem acompanhando os temas que temos desenvolvido há vários anos em “Vida Integral” conseguiu, certamente, pôr em prática as estratégias necessárias para prevenir, conviver ou até superar muitas das doenças recorrentes quando se avança em idade. Também aprendeu a se cuidar e a prestar atenção aos fatores que podem contribuir para uma vida saudável.
Entre os temas normalmente abordados em palestras e cursos dirigidos à terceira idade, muitas vezes são esquecidos aqueles que tratam da existência (vida) e finitude (morte). A questão do sentido da existência sempre preocupou cientistas e filósofos. Torna-se mais urgente, sobretudo para as pessoas que não mais podem adiar o enfrentamento da finitude próxima, devido ao avanço dos anos e a graves doenças.
No século XX predominou a crença de que uma qualidade de vida superior resulta de melhores condições materiais, acumuladas no decorrer da vida. Foram enaltecidos valores como conforto, vida regrada , casamento feliz, trabalho que renda bens materiais, com o prestígio daí resultante. Esqueceu-se de que esses valores, ainda que desejáveis, são sempre exteriores , podem exigir muitos anos de empenho, e nem sempre são obtidos por meios lícitos. Levam a uma preocupação exagerada com o status social, sacrificando a interioridade. Infelizmente, essa perda só é percebida quando o indivíduo se dá conta do que deixou passar, por não ter cultivado o seu eu interior, ocupando o seu cérebro com idéias de como ganhar mais dinheiro e conservá-lo. Nesse período, provavelmente, já adquiriu alguma doença incapacitante.
Para Nietzche , que critica a “estética da existência”, viver bem não é só continuar existindo e o sentido da vida não é só sobrevivência, mesmo que seja nas melhores condições materiais.
O caminho para desenvolver um estilo de vida saudável consiste em manter a alegria de viver , criar coisas novas, conviver bem com as pessoas próximas, além do sexo seguro. Esse estilo de vida vai determinar o envelhecimento bem sucedido, e não deve ser confundido com hedonismo, que é apenas o cultivo do prazer.
Cuidar de si é uma arte, um privilégio, com autonomia para não se sujeitar às conveniências do lazer exterior. Quando o indivíduo perceber que a finitude um dia chegará, pelas próprias limitações da existência, deve contentar-se com as suas realizações, sem reter amarguras e frustrações, bem como raiva e inveja, sentimentos prenunciadores de doenças.
É bom lembrar que, mantendo-se sadio ou com alguma doença tratável , à medida em que a idade avança melhores serão as perspectivas de uma vida mais longa , com tratamentos mais avançados, que surgem a cada ano.
Adie a sua finitude! - Luiz Freitag - lvfreita@uol.com.br