16 de setembro de 2014

Antiinflamatórios: alerta

Dr. Luiz Freitag

 

Trabalhos científicos recentes continuam comprovando a ação prejudicial de alguns medicamentos  antiinflamatórios, em cuja composição entra o diclofenaco. Trata-se de produto não hormonal, que deveria reduzir efeitos das enzimas chamadas  COX1 e COX2, que produzem prostaglandina, uma das substâncias responsáveis pela inflamação. Entretanto, o diclofenaco, além de não produzir  os efeitos esperados, foi responsável por alterações cardíacas. Num universo de 2500  trabalhos científicos, foram observadas alterações cardícas  em  1000  estudos, o que corresponde a 40% .

O diclofenaco é um dos medicamentos mais vendidos  em todo o mundo, apesar de não ser o mais recomendado por todos os médicos. Isto se deve à falta de fiscalização na venda de remédios, que exigiriam receita médica.

O estudo mais recente sobre o diclofenaco teve como base a pesquisa de 23 trabalhos sobre o tema. As conclusões foram muito bem aceitas no meio médico, porque tiveram o aval da conceituada revista científica  Journal of the American Medicine Association  (JAMA).

Essa nova avaliação comprovou que a maioria dos estudos anteriores nunca havia levado em conta o histórico de doenças cardíacas dos pacientes. A análise dos dados mostrou que, de um milhão e seiscentas mil pessoas que tomaram o diclofenaco, 40%  tiveram aumentados os riscos de ataques cardíacos e de outras doenças cardiovasculares, chegando mesmo à morte súbita.

Como sempre alertamos em temas anteriores, nunca se deve adquirir medicamentos sem receita médica, mesmo que tenham sido recomendados por parentes, amigos ou vizinhos. Todos conhecem a mensagem: “Ao persistirem os sintomas, consulte o médico.”  Ora, a ordem deveria ser inversa, ou seja: “Consulte o médico, antes de adquirir o remédio”. 

Além disso, é sabido que muitos medicamentos têm seus efeitos alterados, provocando até reações alérgicas com graves conseqüências, quando associados a outros  remédios já em uso.  Os idosos acima de 65 anos estão sujeitos  a várias patologias e 85% dessa população necessita de diversos medicamentos ao mesmo tempo, como anti-diabéticos e anti-hipertensivos. O diclofenaco, se tomado por mais de 18 meses, produz efeitos colaterais nocivos. Esses pacientes já apresentam alterações no metabolismo do fígado, do rim e do aparelho digestivo e, devido a esses fatores, a ingestão do diclofenaco agrava doenças já instaladas.

Por essas razões, o paciente precisa ser examinado por profissionais de boa formação, para não ocorrer interação medicamentosa nociva.

A conclusão dos estudos sobre o diclofenaco mostra que pacientes com doença cardíaca, ou que já tiveram infarto, não devem utilizar esse medicamento. Como sempre repetimos, ouça a opinião do médico que vem acompanhando seu caso ou procure segunda opinião.

 

Luiz Freitag - lvfreita@uol.com.br é autor do livro “Como transformar a terceira idade na melhor idade”   

Patrocinio






Recado
Anjos de um minuto
Ele avançou com dificuldade e, então, percebeu. A mulher seguia ao lado

Somando forças
Um ano cheio de surpresas, este que deixamos para trás. A natureza em fúria deixou penosas lembranças

Cumpra sua lista. Sempre há tempo
Novo ano. Sempre é hora de revisar comportamentos e tomar rumo certo

Quando pensar faz mal
Às vezes surpreendo as pessoas afirmando que pensar racionalmente

© 2014 Vidaintegral Ltda.