21 de outubro de 2014

Todos os medicamentos fazem bem?

(Continuação das reportagens sobre Medicamentos na 3a Idade; consulte menu à esquerda)

Pessoas idosas sempre apresentam maior número de doenças associadas. Por esse motivo, o médico, ao prescrever remédios, deve estar informado sobre os demais medicamentos que o paciente está tomando, para não agravar o estado geral com uma interação prejudicial. Dr. Luiz Freitag Para incentivar o uso de certos medicamentos populares, é comum ouvir-se a expressão “se não faz bem, mal não faz”. Essa ambivalência dos medicamentos é discutível, pois nem todos os produtos vendidos sem receita médica são isentos de toxicidade, como as vitaminas e os anti-oxidantes (capazes de eliminar os radicais livres). A Sociedade Brasileira de Geriatria – seção de São Paulo recentemente distribuiu um aviso à população contra os medicamentos rejuvenescedores, à base de várias vitaminas e considerados miraculosos no intuito de retardar o envelhecimentos natural, mas que na realidade somente são miraculosos aos bolsos dos fabricantes. Segundo dados recentes da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), 20% dos produtos comercializados sem receita médica contêm a mensagem “aprovado” e/ ou “recomendado por especialistas”, 15% não informam a contra indicação principal, 15% não mencionam nenhum efeito colateral e 9% mostram comprovações sem nenhum estudo clínico prévio. E o que dizer das farmácias onde não há nenhum farmacêutico responsável para orientar o cliente sem receita médica? Apenas há balconistas que se limitam a verificar o preço dos produtos e oferecem essa ou aquela vitamina, colocada estrategicamente ao lado do caixa, onde se fará o pagamento, e o próprio funcionário sugere: “ O senhor não quer aproveitar e levar esta conhecida vitamina, que está em oferta?“ Isso não ocorre só no Brasil. Nos Estados Unidos, em grandes centros como Nova York, Los Angeles e até Washington também se pode entrar em drug-stores, verdadeiros supermercados de drogas, pegar uma cestinha de plástico, colocar os produtos disponíveis nas prateleiras e pagar no caixa, sem nenhuma receita médica! Para orientar nossos leitores, selecionamos algumas drogas que apresentam reações adversas nos idosos, pois esses são sempre mais suscetíveis aos efeitos terapêuticos ou tóxicos dos medicamentos. Poucas drogas são testadas com cuidado nos idosos. Pessoas idosas sempre apresentam maior número de doenças associadas. Por esse motivo, o médico, ao prescrever remédios, deve estar informado sobre os demais medicamentos que o paciente está tomando, para não agravar o estado geral com uma interação prejudicial. As absorções, metabolismo, eliminação final dos resíduos dos medicamentos em idosos sofrem alterações, porque o metabolismo hepático e excreção renal desses pacientes já estão comprometidos por lesões decorrentes da idade. Antibióticos muitas vezes imprescindíveis para o tratamento de algumas doenças, como a pneumonia, apresentam reações colaterais graves, dependendo da dose em idosos, curando essa doença, mas provocando aplasia medular, lesões auditivas e até convulsões. A simples ingestão de vitamina C pode desencadear uma crise de cólica renal no idoso, porque ele não sabia da preexistência de pedras nos rins! Recomendamos aos pacientes a leitura atenta das bulas, quando o médico não orientar o suficiente sobre os efeitos nocivos. Vale a pena pegar uma lente de aumento e ler os itens de contra indicações, precauções e advertências, interações medicamentosas e reações adversas colaterais.

O Dr. Luiz Freitag é geriatra em São Paulo, co-fundador da seção São Paulo da Sociedade Brasileira de Geriatria. lvfreita@uol.com.br

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