21 de outubro de 2014

Azeite de oliva, o ouro líquido

 

Dr. Luiz Freitag

 

No mundo inteiro está sendo observada a valorização cada vez maior do azeite de oliva, principalmente nos países que cultivam oliveira há milhares de anos. Em viagem recente a Grécia e Itália pudemos constatar a divulgação dos benefícios desse produto, inclusive em congressos médicos.

J√° se conhece bem a a√ß√£o do azeite de oliva quando prensado a frio, como fonte de √°cidos graxos essenciais, como √īmega-3 e √īmega-6 (que n√£o s√£o produzidos pelo organismo) na preven√ß√£o de doen√ßas card√≠acas. O que se enfatiza √© que o azeite de oliva deve ser extra√≠do a frio e em primeira e √ļnica prensagem. Tamb√©m n√£o pode passar por processos de refino capazes de anular seus efeitos para a sa√ļde, pela adi√ß√£o de componentes qu√≠micos.

Um pouco da hist√≥ria desse azeite revela que h√° milhares de anos os gregos fundamentaram a sua nutri√ß√£o com derivados da azeitona. Em Creta, no sul do Peloponeso, bem como em todas as ilhas¬† do Mar Egeu, esse azeite √© utilizado exclusivamente na cozinha para o preparo de todos os pratos ‚Äď √© considerado sagrado na tradi√ß√£o popular grega.

Na composi√ß√£o qu√≠mica do azeite de oliva entram diversos elementos denominados √°cidos graxos, como os j√° citados, al√©m do √īmega 9, do √°cido palm√≠tico e do este√°rico. Tamb√©m se encontram outras subst√Ęncias, como tocoferol, fonte de vitamina E, al√©m da clorofila e do beta-caroteno, respons√°veis pela colora√ß√£o verde ou dourada do azeite.

O melhor azeite de oliva é o extra-virgem, com acidez máxima de 1%, sem aditivos e conservantes. Um grama desse azeite corresponde a 9,3 calorias e pesquisas recentes mostram que, mesmo utilizado em frituras até 250 graus, o azeite de oliva não perde suas propriedades.

J√° √© do conhecimento de todos que o azeite de oliva constitui uma rede de prote√ß√£o √† sa√ļde, diminuindo os efeitos prejudiciais, como na redu√ß√£o dos n√≠veis de LDL (mau colesterol), sem reduzir o HDL (bom colesterol). Recentes trabalhos sobre o c√Ęncer de mama mostram que o azeite de oliva previne ou retarda a progress√£o desse tipo de c√Ęncer. Seu consumo pode representar defesa contra a osteoporose, por ajudar a manter a condensa√ß√£o √≥ssea. Na artrite reumat√≥ide o consumo di√°rio desse azeite diminui 75% das¬† dores articulares. No diabetes verifica-se diminui√ß√£o dos altos n√≠veis de glicemia, quando associada a uma dieta.

Com todas essas vantagens, n√£o √© de estranhar que esteja ocorrendo a falsifica√ß√£o desse ‚Äúouro l√≠quido‚ÄĚ, j√° exaltado por Homero. H√° comprova√ß√£o de que metade do azeite de oliva vendido na It√°lia nos supermercados n√£o tem proced√™ncia regular. De cada tr√™s litros, dois s√£o vendidos como provenientes de outros pa√≠ses. Em 2006, 45% das embalagens vieram de regi√Ķes como a Tun√≠sia!

Na It√°lia j√° existe uma lei, obrigando a etiquetagem de cada litro vendido, com uma Denomina√ß√£o de Origem Controlada (DOC), da mesma forma que √© feito com vinhos de qualidade. H√°, por√©m, uma rea√ß√£o de outros pa√≠ses membros da comunidade europ√©ia, que alegam produzir excelentes azeites de oliva, reivindicando o mesmo procedimento. A proximidade da Alb√Ęnia pode trazer essa facilidade maior de falsifica√ß√£o.

A Confedera√ß√£o Italiana de Agricultores est√° muito preocupada com a possibilidade dos chamados agro-piratas, que misturam √≥leos de diversos pa√≠ses, obtendo apar√™ncia enganosa de leg√≠timo azeite italiano ou grego. A cor do azeite nem sempre revela prova de qualidade. Um bom √≥leo pode apresentar desde a cor verde, onde predomina a clorofila, at√© a cor dourada, com predomin√Ęncia do beta-caroteno, mas essas colora√ß√Ķes podem ser obtidas com produtos qu√≠micos.

Um meio de identificar se o azeite √© de qualidade superior seria prov√°-lo. Se tiver gosto de terra, √© falso. O que se pode fazer √© comprar o azeite de oliva com a etiquetagem ‚Äúextra-virgem‚ÄĚ e DOC, com acidez m√°xima de 1%, procurando sempre as marcas mais conceituadas e engarrafadas √† prova de luz, para evitar danos de calor e luz solar.

Quanto ao melhor uso do¬† azeite de oliva, sugerimos consumi-lo ao natural, nas saladas, ou utiliz√°-lo em alimentos cuja fritura n√£o ultrapasse 250¬ļ.¬† √Č uma regra de sa√ļde.

 


Luiz Freitag -¬† lvfreita@uol.com.br - autor do livro ‚ÄúComo transformar a terceira idade na melhor idade‚ÄĚ.

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