25 de outubro de 2014

Excesso de vitaminas em idosos

 Dr. Luiz Freitag

Um dos hábitos mais arraigados nos idosos (e agora também nos jovens, que praticam a chamada fisicultura) é a ingestão excessiva de vitaminas, na crença de poderes miraculosos para a restituição da juventude e também para a obtenção da musculatura desejada.

Um estudo recente (2006), publicado pela Sociedade Americana de Geriatria, comparando diversas vitaminas ingeridas por idosos, comprovou que mais de 10% dos homens consumiram doses dez vezes maiores do que as recomendadas pelo FDA (Food Drug Administration). As vitaminas ingeridas em excesso foram C, D, E e vitaminas do complexo B. Entre as mulheres também houve uma comparação e 10% delas ingeriram em excesso vitaminas do complexo B e ferro.

Essas pessoas imaginam que, ingerindo as megadoses de vitaminas, poderão prolongar a vida, curar doenças, substituir alimentos naturais, aumentando a imunidade às doenças e até melhorar o desempenho sexual. Infelizmente, a verdade é exatamente o oposto.

As megadoses de vitaminas podem provocar toxicidades significativas: grandes doses de vitamina C provocam pedras nos rins (principalmente em mulheres), além de problemas gastro-intestinais; excesso de vitamina ocasiona fadiga e fraqueza, por sobrecarregar o fígado; podem surgir altos índices de cálcio no sangue, reduzindo o número de glóbulos brancos na circulação sangüínea; altas doses de vitamina B6 causam sérios danos aos nervos dos braços e pernas.

Por outro lado, a má nutrição ocorre com maior freqüência nos idosos, por diminuição do apetite, devido a doenças, bem como ao efeito secundário dos medicamentos necessários ao tratamento dessas doenças. Por vezes, problemas na dentição ou ausência dos dentes, que provocam má deglutição, contribuem para essa perda do apetite. Outra causa muito comum entre os idosos é a depressão.

Uma perda repentina de peso deve ser melhor investigada numa consulta médica. Nem sempre a desnutrição provocada pela falta de alimentos produz perda de peso, mas pode indicar o surgimento de algum tumor, de causa a esclarecer, ou infecção interna em vários órgãos. É sempre importante ressaltar que o abuso de bebidas alcoólicas traz perda de apetite.

É  preciso estar atento à oferta indiscriminada de vitaminas oferecidas pelas farmácias e à propaganda pelos meios de comunicação, como rádio, televisão e até internet.

Se o médico não recomendou nenhuma vitamina, após a análise dos exames, não se deve tomar, apesar dos apelos insistentes da publicidade. O excesso ou falha nas dosagens de algumas vitaminas nas formulações das embalagens comerciais podem prejudicar, ao invés de ajudar. A marca ou a origem americana não pode ser critério para adquirir uma vitamina.

Qual é a solução? Comer muitas frutas, legumes, verduras e outros alimentos presentes no cotidiano, pois eles contêm as necessidades mínimas de vitaminas. Se houver muitas restrições alimentares, é importante consultar um nutricionista, para uma adaptação balanceada das vitaminas necessárias.

A vida não depende apenas de vitaminas. Como já dizia Molière (1622-1673), famoso pelas peças teatrais apreciadas até hoje, \"a maioria dos homens morre de seus remédios, e não das suas doenças.\"


Luiz Freitag lvfreita@uol.com.br autor do livro \"Como transformar a terceira idade na melhor idade\" - Editora Alaúde
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