Pé Diabético
Dr. Luiz Freitag
Pé Diabético é hoje complicação tão grave que já se fazem congressos médicos, tanto no Brasil como no exterior, exclusivamente sobre a patologia.
A importância do Diabetes Mellitus como uma doença sempre em evidência a cada ano cresce mais, principalmente devido ao Diabetes Tipo 2, disseminado em todo o mundo. As causas principais são o aumento de peso, provocando a obesidade por excessos alimentares, ou por motivos genéticos e outras doenças.
No tema deste mês vamos tratar do Pé Diabético, hoje uma complicação tão grave que já se fazem congressos médicos, tanto no Brasil como no exterior, exclusivamente sobre esta patologia.
Podemos definir o Pé Diabético como diversas alterações nos tecidos dos pés em pacientes diabéticos provocadas tanto por lesões vasculares como por complicações neurológicas. Geralmente é a causa mais comum de internação de um paciente com diabetes, já que o tratamento clínico hoje em dia está bem orientado e de fácil aceitação.
As complicações dos pés ocorrem em 25% dos diabéticos, sendo que ainda 1 em cada 15 pacientes terá a sua perna amputada por graves complicações. De início, podem ocorrer úlceras da pele nos pés ou pernas, muitas vezes associadas às pessoas que também apresentam varizes, com o conseqüente surgimento de bactérias.
Pequenos acidentes, como traumas ou batidas em calçadas, produzem alterações piores nos dedos dos diabéticos e pela pressão ocasionada por sapatos apertados os dedos podem ter deformidades "em garra".
Outras causas incluem a arteriosclerose obliterante em pessoas idosas que tenham mais de 20 anos de tratamento do diabetes, mas que não mantêm os níveis normais aceitos, que devem ficar entre 75 e 99 mg/dL em jejum, sendo tolerado o máximo de 100 mg. A deficiência de nutrição nos tecidos das pernas provoca lesões nas artérias e a conseqüente ulceração.
Também pode ocorrer de o paciente só descobrir que sofre de diabetes quando tiver uma unha encravada no grande artelho (hallux), conhecido como dedão do pé. Ao ser extraída a unha por um profissional não competente não há uma cicatrização perfeita, e só nessa ocasião é que o paciente vai procurar um médico para esclarecer a causa. Serão solicitados diversos exames, como hemograma completo, dosagem de açúcar no sangue e na urina, cultura do material infectado e antibiograma, para a confirmação de bactérias que estão instaladas e não deixam ocorrer a cicatrização. Será necessário tomar um antibiótico de acordo com o tipo de bactéria descoberta na cultura.
Os graus de infecção podem ser denominados de 0 a 5, sendo 0 a pele ainda intacta e 5 o pé já com gangrena. Exames de radiografias dos dedos dos pés, bem como tomografia dos ossos das pernas, são indicados para auxiliar no tratamento caso já existam fraturas e desgastes ósseos avançados. A partir do grau 3, quando já houve um abscesso profundo e osteomielite, é recomendada a internação hospitalar. Nos graus 4 e 5, quando surgir gangrena, não se pode aguardar mais tempo e a amputação da parte afetada deverá ser realizada o mais breve possível, principalmente quando os níveis de glicemia não chegam a um patamar ótimo, evitando-se assim a rápida disseminação de bactérias para toda a corrente sangüínea e conseqüente óbito.
A seguir informamos alguns cuidados mínimos importantes tanto para pacientes com pé diabético como para observação pelos familiares ou cuidadores desses pacientes:
• Examinar diariamente os pés para localizar rachaduras, calosidades, contusões ou alterações nos dedos provocadas por calçados apertados.
• Lavar os pés diariamente com sabão neutro e água morna, secar bem entre os vãos dos dedos usando uma pequena toalha ou papel absorvente.
• No frio os pés devem ficar bem agasalhados, tanto no dia como à noite.
• Não usar produtos vendidos popularmente nas drogarias para retiradas de calos ou cravos. O recomendável é procurar um podólogo especializado, que também cortará as unhas retas e dará os cuidados com ferimentos ou rachaduras.
• Usar sempre meias de algodão com calçados macios, evitando comprar sapatos da última moda que poderão pressionar os artelhos, calcanhares e tornozelos, dando assim origem às lesões indesejáveis.
• Em longas viagens, nunca ficar sentado mais do que 2 horas, principalmente em aviões. Andar nos corredores ou fazer exercícios com os pés.
O Dr. Luiz Freitag é autor do livro “Como Transformar a Terceira Idade na Melhor Idade”. Email: lvfreita@uol.com.br