24 de outubro de 2014

Placebo e doença

 

“É verdade que a maior parte dos males que acometem o homem são provocados por ele próprio”. - Caio Plínio Segundo (Plínio, o Velho), advogado e historiador romano (23 - 79 D.C.). 

Envelhecimento com saúde é o que todos almejamos. Um dos meios de que dispomos e devemos utilizar consiste em fazer exames periódicos semestrais ou anuais, conforme solicitação médica.

Devemos realizar esses exames como prevenção, ainda que a saúde esteja boa. Não precisamos esperar que os sintomas apareçam para agendar consulta médica. Entretanto, nem todos seguem as recomendações - há aqueles que ao sentir uma dor na coluna, por exemplo, vão primeiro à farmácia, para adquirir determinada pílula que o amigo recomendou, quando teve dor semelhante.

E não é que a dor passa, na maioria das vezes? O poder de sugestão e o componente emocional interagem e melhoram a dor, mesmo que a tal pílula não contenha substâncias que atuam sobre essa dor. É o que se chama “efeito placebo”.

“Placebo” vem da palavra latina  placere, que significa “agradar”. Na terminologia médica “placebo” é um produto que não produz o efeito terapêutico desejado, apenas ministrado para fim de sugestão. Também é utilizado em trabalhos de pesquisa, quando, por exemplo, um grupo de pacientes recebe um comprimido, cuja fórmula desconhece. Outro grupo, paralelamente, recebe o remédio que se quer investigar. Nenhum dos dois grupos sabe qual é o medicamento verdadeiro.

Grandes centros médicos ligados à pesquisa em universidades costumam fazer esse tipo de experimento, desde que não haja prejuízo à saúde dos pacientes estudados. É o que se denomina “estudo duplo-cego”, quando nenhuma das pessoas que recebem o produto conhece os efeitos. No momento em que os pesquisadores notarem que certas pessoas estão apresentando reações atípicas o estudo é suspenso.

Pode-se fazer também pesquisa com pessoas que adquiriram produto mais caro. O mesmo produto, com outro nome, foi adquirido por outro grupo, por preço menor. O estudo foi feito na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, avaliando-se dois medicamentos muito conhecidos para tratar resfriados, sendo que treze participantes compraram o produto pelo preço de tabela. Outras dezesseis pessoas pagaram um preço menor pelo mesmo remédio. Os pesquisadores chegaram ao seguinte resultado: os que tomaram o remédio com preço mais alto sentiram-se melhor; os que tomaram o remédio mais barato não sentiram nenhum efeito. E sabemos muito bem que até hoje não existe nenhum medicamento, caro ou barato, que cure um resfriado.

Concluímos que a propaganda é mais poderosa do que o efeito do próprio medicamento, como também o preço do produto influi no resultado final. O paciente, em geral, não gosta de sair da consulta sem uma receita, mas deve entender que o médico não achou necessário. Entretanto, psicologicamente, sob algum efeito no cérebro, ainda não totalmente esclarecido, a maioria dos pacientes experimenta melhora quando ingere algum medicamento. As causas podem estar relacionadas à redução do nível de estresse, às mudanças do sistema imunológico ou a alterações hormonais. Basta observar a venda fabulosa de drogas, sem receita médica! 

Daí podemos inferir que drogas mais caras irão produzir efeitos mais rápidos e melhores que as mais baratas. Então, como vender drogas de menor custo ou genéricas e explicar que essas terão o mesmo efeito que as mais caras? São questões de difícil explicação.

Vários outros estudos ainda mostram que pessoas naturalmente otimistas ou que tenham crença religiosa são mais receptivas ao placebo. Também idosos mais doentes, ou que estejam perdendo a esperança de cura, agarram-se a qualquer novidade que apareça.

Importante nessa questão é constatar a confiança que o paciente deposita no médico e na sua indicação. Talvez os neurotransmissores sejam mais atuantes em alguns neurônios, promovendo emoções e sensações favoráveis à melhora ou mesmo à cura. 


Luiz Freitag é autor do livro “Como transformar a terceira idade na melhor idade”. 

                              

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