26 de novembro de 2014

Perda de audição no idoso

Dr. Luiz Freitag

No processo de envelhecimento do organismo ocorre uma perda progressiva da audição, denominada presbiacusia. Vários fatores genéticos, além da própria constituição do indivíduo, são responsáveis por essa perda. A poluição sonora, cada vez maior em nosso mundo, principalmente nos grandes centros, não é, muitas vezes, percebida em toda a sua dimensão. Já nos habituamos ao excesso de ruídos e esse é, seguramente, o maior responsável pela diminuição precoce da audição.

Essa perda pode ser constatada até em jovens, habituados a curtir sons muito fortes e a tocar instrumentos com volume acima dos 85 decibéis tolerados pelo ouvido humano. Pode-se constatar em indivíduos com mais de 60 anos, ouvintes habituais de rock e de outros gêneros com som muito alto, a perda gradativa da audição, agravada após os 70 anos.

Na parte interna da região chamada orelha média ocorrem modificações constantes nos ossículos do ouvido, surgindo esclerose e osteoporose do corpo da bigorna, um desses ossículos, muitas vezes não perceptíveis nos exames clínicos. Os primeiros sinais aparecem quando a pessoa começa a não perceber os sons mais agudos e não compreender certas palavras.

Essa pessoa pode ouvir os sons, mas não entende bem o que é falado. Chega a reclamar que não ouviu e o interlocutor levanta a voz, mas a incompreensão continua e o ouvinte é até capaz de dizer que não é surdo! Apenas pede para que a frase seja repetida pausadamente.

Essa meia-surdez chama-se surdez neuro-sensorial, que faz parte da presbiacusia e agrava-se com a idade. Como vimos, essa deficiência surge mais cedo em nossos dias, a partir de quarenta anos, devido ao excesso de ruídos. Pessoas que trabalharam em empresas com nível de ruído acima de 85 decibéis, como metalúrgicas e tecelagens apresentam maior tendência à perda de audição. Há poucos anos as empresas consideradas insalubres foram obrigadas a fornecer aos funcionários equipamentos de proteção individual (EPI), como capacetes e aparelhos para proteger os ouvidos. No início havia resistência dos funcionários ao uso desses EPIs e os que não utilizaram tiveram agravamento da surdez neuro-sensorial.

Em edição recente da Revista Brasileira de Otorrinolaringologia foi publicado um trabalho de pesquisa sobre a evolução da perda auditiva no envelhecimento. Comprovou-se que há uma degeneração fisiológica provocada pelos ruídos e outros fatores ototóxicos, causando perda auditiva em 60% das pessoas acima de 65 anos.

Populações isoladas de grandes centros urbanos estão mais protegidas da agressão sonora. Estudos clássicos realizados em índios do Alto Xingu comprovaram que mesmo os idosos conservavam a capacidade auditiva na velhice.

Quanto ao uso do aparelho auditivo, é recomendável ouvir a opinião do otorrino e do geriatra. Atualmente já há aparelhos de pequeno porte, que disfarçam muito bem o seu uso, sem causar constrangimento.

A presbiacusia é um estágio normal do envelhecimento orgânico. Algumas das causas apontadas podem acelerar ou agravar esse processo, mas nem mesmo os melhores aparelhos auditivos conseguem reverter essa situação, causada pelo envelhecimento. O que se deve fazer é avaliar com atenção quais as pioras que já ocorreram, além da presbiacusia, para utilizar de forma adequada o aparelho auricular.

A deficiência auditiva não deve ser empecilho para a sociabilidade dos idosos, levando sempre em conta a preservação da qualidade de vida. 


O Dr. Luiz Freitag é médico geriatra, autor do livro “Como transformar a terceira idade na melhor idade”.  lvfreita@uol.com.br .

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