Saúde e estilo de vida
Dr.Luiz Freitag
“Os jovens têm a memória curta e os olhos para ver apenas o nascer do sol; para o poente olham apenas os velhos, aqueles que viram o ocaso tantas vezes.” Giovanni Verga, escritor italiano
(1840-1922).
Entre tantas pesquisas sobre envelhecimento da população mundial, destacam-se os estudos realizados em Stanford, famosa universidade americana. Neste século XXI está ocorrendo, mais do que em outras épocas, a valorização do estilo de vida, levando a uma sobrevivência de mais de vinte anos para quem já está na faixa dos sessenta e cinco anos.
O estilo de vida responde por 53% de todos os fatores que favorecem hábitos saudáveis e, em conseqüência, levam a maior longevidade. Além das recomendações médicas, apoiadas na descoberta de novos medicamentos, vem aumentando a preocupação com o saneamento básico e, principalmente, neste ano de 2008, observa-se a conscientização ecológica. Cuidado com alimentação e atividade física diária também colaboram com a manutenção da saúde.
Existe um consenso segundo o qual a herança genética representa apenas 17% no prognóstico de maior sobrevida. As diversas variáveis psicossociais de satisfação obtida pelo trabalho realizado, contribuindo para a felicidade individual, são vistos como elementos adicionais à longevidade. Outros fatores são o controle do estresse e o cultivo do relacionamento social.
Recapitulando idéias já expostas em textos anteriores, é sempre importante ressaltar o controle da alimentação, atividades diárias de trinta minutos, como caminhadas, leituras com temas de interesse e participação em entidades sociais. É fundamental administrar o tempo, com atenção ao lazer diário, para os que já estão afastados do trabalho. A palavra “aposentado” sugere que o indivíduo está restrito ao aposento, mas essa postura não deve ser seguida – ao contrário, é necessário sair do aposento e desfrutar o que o mundo oferece.
Estudo recente concluído em 2008, em Boston, em que os próprios médicos eram pacientes, foi publicado pela revista “Archives of Internal Medicine”. A pesquisa envolveu mais de 2000 médicos, com 70 anos ou mais. Chegou-se à conclusão de que 54% deles terão oportunidade de viver até mais de 90 anos, se adotarem os cuidados que eles mesmo recomendam aos pacientes, como: controlar a pressão arterial e o diabetes, não fumar, praticar exercícios diários, diminuir o peso corporal e manter níveis aceitáveis de colesterol, triglicérides e ácido úrico.
Se a mudança no estilo de vida não for obedecida, verifica-se a diminuição da longevidade, relacionada aos seguintes fatores:
REDUÇÃO DA ESPERANÇA DE VIDA
Sedentarismo 44%
Hipertensão arterial não tratada 36%
Obesidade 26%
Tabagismo 22%
Fatores associados 14%
(sedentarismo, obesidade, diabetes)
É necessário alertar, em termos de prevenção, que, além dos fatores citados, a mudança no estilo de vida trará menor possibilidade de surgir câncer, doenças coronarianas e cardio-vasculares.